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Por Graziela Nannin – nutricionista

O uso da tirzepatida tem se tornado cada vez mais comum no tratamento da obesidade, trazendo resultados expressivos na redução do apetite e no emagrecimento. No entanto, um desafio importante começa a aparecer justamente após o uso: o medo de voltar a comer.

Durante o tratamento, é comum que a fome diminua significativamente devido à ação da medicação. Muitas pessoas passam a comer em quantidades muito menores, sem necessariamente desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação  e o controle vem, principalmente, do efeito farmacológico.

Quando a medicação é suspensa, a fome retorna de forma gradual. E é nesse momento que surgem dúvidas e inseguranças: “E se eu perder o controle?”, “E se eu voltar a engordar?”. Esse medo pode levar a tentativas de continuar comendo muito pouco ou evitar certos alimentos, criando uma relação tensa com a comida. É importante entender que o retorno da fome não é um problema, é um sinal natural do corpo voltando ao seu funcionamento esperado. O desafio não está em sentir fome, mas em reaprender a lidar com ela.
Nesse contexto, a nutrição comportamental tem um papel fundamental. Mais do que focar apenas no que comer, ela ajuda o paciente a reconstruir a confiança na própria alimentação, respeitando sinais internos, reduzindo a culpa e desenvolvendo autonomia. E é aqui que entra um ponto essencial: não abandonar o acompanhamento nutricional no pós-medicação. Esse período é uma fase ativa do tratamento e precisa de orientação para que a transição seja feita com segurança.

 
Uma estratégia muito eficaz é o aumento gradual da alimentação, evitando desconfortos físicos e emocionais. Em vez de mudanças bruscas, o ideal é reintroduzir volumes e combinações alimentares aos poucos, respeitando o tempo do corpo. Algumas opções simples podem ajudar nesse processo:


– Caldos e sopas nutritivas, que são leves e confortáveis
– Omeletes com vegetais, ricos em proteína e de fácil digestão
– Iogurte com frutas e sementes, prático e equilibrado
– Purês (como abóbora ou mandioquinha), que facilitam a adaptação
– Smoothies nutritivos, ideais para quem ainda tem pouca fome

Essas escolhas permitem aumentar a ingestão alimentar de forma progressiva, sem gerar a sensação de “exagero”, que muitas vezes assusta o paciente nesse momento. Mais do que seguir regras rígidas, esse é um período de reconexão. Aprender a comer novamente, com consciência e segurança, é o que sustenta os resultados no longo prazo.

 
O uso da medicação pode ser um aliado importante, mas é o comportamento alimentar que determina a manutenção dos resultados. Por isso, cuidar dessa fase com atenção faz toda a diferença.

Referências:
Jastreboff AM et al. (2022). Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. NEJM.
Tribole E, Resch E. (2012). Intuitive Eating.
Polivy J, Herman CP. (1985). Dieting and binging: A causal analysis.

 
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