Como fazer evolução nutricional baseada em dados clínicos: guia completo para uma documentação segura e eficiente
A evolução nutricional baseada em dados clínicos é um registro essencial para acompanhar a resposta do paciente ao cuidado nutricional, ajustar condutas e garantir continuidade assistencial. Quando bem estruturada, ela transforma informações de anamnese, exame físico, antropometria e exames laboratoriais em decisões práticas e objetivas, promovendo rastreabilidade e melhoria contínua do cuidado.
Na rotina clínica e hospitalar, esse registro evolutivo também fortalece a comunicação entre profissionais, reduz falhas de acompanhamento e ajuda a demonstrar a efetividade da terapia nutricional ao longo do tempo. Em serviços de saúde, esse processo deve ser sistemático, legível e compatível com as necessidades do paciente, permitindo comparação temporal e suporte à tomada de decisão multiprofissional.
Para profissionais e estudantes da área de saúde e bem-estar, o acompanhamento clínico-nutricional é igualmente uma ferramenta pedagógica: evidencia raciocínio clínico, permite auditoria de resultados e sustenta uma prática alinhada a diretrizes como NCP/ADIME e critérios GLIM. No contexto da Plenitude Educação, esse registro torna-se parte estratégica da formação, especialização e desenvolvimento de carreira, pois traduz ciência em prática segura, ética e mensurável. [1][2]
O que é evolução nutricional e por que ela importa
A evolução nutricional é o registro sequencial do estado nutricional do paciente, incluindo mudanças no quadro clínico, na ingestão alimentar, na tolerância à dieta e nos parâmetros de acompanhamento. Ela permite identificar se a conduta está funcionando e se há necessidade de reavaliação, servindo como linha do tempo clínica.
Na prática, o documento evolutivo deve ir além de um relato genérico. Ele precisa reunir dados objetivos e subjetivos, como peso, sinais gastrointestinais, aceitação alimentar, sintomas associados e resultados laboratoriais relevantes. Isso é coerente com protocolos institucionais e com a exigência de registro formal no prontuário, inclusive para fins de auditoria e acreditação. [1][8][14]
Do ponto de vista científico, o acompanhamento integra o ciclo do cuidado nutricional (NCP/ADIME), conectando Avaliação, Diagnóstico (enunciado PES), Intervenção e Monitoramento/ Avaliação de resultados. Essa integração sustenta a segurança do paciente e o trabalho multiprofissional, além de facilitar indicadores de desfecho, como adequação proteico-calórica, redução de complicações e tempo de internação. [1][3]
Modelos conceituais aplicáveis à evolução nutricional
– NCP/ADIME: estrutura padronizada para documentar Avaliação, Diagnóstico, Intervenção e Monitoramento. [1]
– Critérios GLIM: permitem classificar e monitorar desnutrição com base em fenótipo (perda de peso, baixo IMC, perda de massa muscular) e etiologia (ingestão reduzida/absorção e inflamação). [2]
– SGA/NRS-2002/MUST: triagens e avaliações reconhecidas para estratificação de risco e comparação longitudinal no registro seriado. [6][15][13]
Quais dados clínicos devem ser usados na evolução nutricional
Uma documentação evolutiva bem feita começa pela seleção correta das informações clínicas. Os dados precisam ser pertinentes ao caso, atualizados e organizados de forma lógica, permitindo comparação entre avaliações sucessivas e fácil leitura por diferentes profissionais. [1][7][10]
Dados de identificação e contexto clínico
Inclua identificação do paciente, diagnóstico médico, motivo da internação ou consulta, comorbidades e história clínica relevante. Esses elementos ajudam a interpretar o risco nutricional e a definir prioridades do cuidado. [1][8]
Contextualize o estágio da doença (aguda vs. crônica), presença de inflamação, uso de fármacos que impactam apetite/absorção (antieméticos, opioides, corticoides, IBP), suporte ventilatório, mobilidade e status funcional. Essa contextualização qualifica o monitoramento clínico-nutricional e justifica ajustes na conduta. [5][7]
Informações sobre ingestão alimentar e sintomas
Registre alterações da ingestão, anorexia, inapetência, aversões, intolerâncias, alergias, náuseas, vômitos, diarreia, constipação, disfagia, odinofagia e dificuldades de mastigação. Esses sinais são fundamentais para entender a causa do comprometimento nutricional. [1][7][8]
Detalhe percentuais de adequação energética e proteica, volume/débito de dieta enteral, interrupções (NPO/jejum), tempo sem ingestão, barreiras psicossociais, além de escore de sintomas (ex.: intensidade de náusea 0–10). Ao qualificar esses elementos, a documentação fica replicável e comparável entre profissionais e turnos. [7][11]
Antropometria e composição corporal
Os dados antropométricos costumam incluir peso atual, peso usual, variação ponderal, altura, IMC e, quando possível, circunferências e medidas de composição corporal. A perda de peso involuntária e a redução de massa muscular são achados de alto valor clínico. [1][5][10]
Amplie com circunferência da panturrilha, circunferência do braço, área muscular do braço, pregas cutâneas, dinamometria (força de preensão manual) e, quando disponível, bioimpedância elétrica ou ultrassonografia de espessura muscular. Em idosos, atente para critérios de sarcopenia (EWGSOP2) no acompanhamento longitudinal, dada a relevância prognóstica. [17][10]
Exame físico e semiologia nutricional
O exame físico deve buscar sinais de perda de gordura subcutânea, depleção muscular, edema e ascite. Esses achados complementam a avaliação antropométrica e ajudam a identificar desnutrição mesmo quando o peso pode estar mascarado por retenção hídrica. [1][5][7]
Descreva regiões anatômicas-chave (têmporas, clavículas, deltoides, interósseos, quadríceps, escapulares), grau de edema (leve/moderado/importante) e presença de lesões cutâneas/feridas. Padronizar a semiologia favorece a reprodutibilidade do registro. [5][6]
Parâmetros bioquímicos
Exames laboratoriais devem ser usados com critério e interpretados em conjunto com o quadro clínico. Hemoglobina, hematócrito, albumina, pré-albumina e outros marcadores podem contribuir para a análise, mas não devem ser considerados isoladamente. [5][4]
Considere PCR/albumina para avaliar inflamação; eletrólitos, função renal/hepática, glicemia, triglicerídeos, vitaminas e minerais conforme hipótese clínica. No contexto hospitalar, monitorar resposta inflamatória e tolerância metabólica à terapia nutricional ajuda a prevenir complicações e orienta ajustes. [4][5][7]
Como estruturar a evolução nutricional na prática
A melhor forma de construir a evolução nutricional é seguir uma sequência padronizada. Isso melhora a qualidade do prontuário, reduz omissões e facilita a leitura por outros profissionais da equipe. [8][14]
- Resumo do quadro clínico: diagnóstico, motivo do atendimento e principais intercorrências.
- Avaliação nutricional: ingestão, sintomas, exame físico, antropometria e dados laboratoriais.
- Diagnóstico nutricional: definição clara do problema identificado.
- Necessidades nutricionais: estimativa de calorias, proteínas, líquidos e outros nutrientes.
- Conduta: plano alimentar, suplementos, via de oferta e metas do cuidado.
- Monitoramento: resposta do paciente, aceitação da dieta e ajustes necessários.
Esse formato torna o acompanhamento evolutivo objetivo e facilita o acompanhamento longitudinal do caso. Em ambiente hospitalar, protocolos também recomendam registrar dias de internação, dias de terapia nutricional e mudanças na conduta ao longo do tempo. [8][14]
Checklist prático de documentação (passo a passo)
- Identificação completa do paciente e contexto clínico (diagnóstico, comorbidades, estágio da doença).
- Risco nutricional e ferramenta utilizada (SGA, NRS-2002, MUST) com data e escore. [6][15][13]
- Ingestão alimentar quantificada (kcal, g proteína, líquidos) vs. meta; interrupções e motivos. [7][11]
- Sintomas gastrointestinais e escore de intensidade (0–10) com evolução temporal.
- Antropometria completa, variação ponderal e medidas funcionais (ex.: dinamometria).
- Exame físico dirigido (gordura subcutânea, massa muscular, edema/ascite).
- Parâmetros laboratoriais relevantes e interpretação clínica (inflamação, eletrólitos, glicemia). [4][5]
- Diagnóstico nutricional (PES) e justificativa baseada nos achados. [1]
- Plano dietoterápico (via, fórmula, velocidade, suplementos) e metas SMART.
- Monitoramento e avaliação: indicadores-chave, prazos e próximos passos.
Modelos práticos de documentação em evolução nutricional
– ADIME: facilita o vínculo entre Diagnóstico (PES) e Intervenção, e organiza o Monitoramento/ Avaliação de forma clara. [1]
– SOAP/SOAPIER: útil quando a equipe multiprofissional adota padrão único, mantendo o registro nutricional alinhado às demais áreas. [14][19]
– GLIM/SGA/NRS-2002 integrados à evolução: registram risco e gravidade, permitindo comparação entre visitas. [2][6][15]
Como interpretar os dados clínicos para tomar decisões
O maior valor do acompanhamento está na interpretação dos dados. Não basta descrever; é preciso analisar tendências e relacioná-las à resposta terapêutica, destacando variáveis modificáveis e risco-benefício das intervenções.
Por exemplo, se o paciente apresenta redução da ingestão por náuseas persistentes, perda de peso e piora do exame físico, a conduta pode exigir ajuste de consistência, fracionamento das refeições ou introdução de terapia nutricional oral suplementar. Se houver intolerância gastrointestinal, a estratégia pode incluir mudança de fórmula, velocidade de administração ou via de oferta. [1][7][8]
Essa análise também deve considerar o contexto global: inflamação, jejum prolongado, uso de medicamentos, alterações funcionais e presença de doenças crônicas. Em muitos casos, o dado isolado tem pouco valor; o conjunto da linha do tempo clínica define a conduta mais segura. [5][7]
Critérios objetivos que qualificam a evolução nutricional
– Perda de peso clinicamente relevante (ex.: ≥5% em 1 mês, ≥10% em 6 meses), baixa ingestão/absorção e fenótipo de depleção muscular segundo GLIM. [2]
– Metas de adequação calórico-proteica (ex.: 25–30 kcal/kg/d; 1,2–2,0 g proteína/kg/d, individualizadas), com registro da porcentagem atingida. [7][11]
– Indicadores de tolerância: vômitos, distensão, diarreia, resíduos e exames bioquímicos de segurança metabólica. [5][7]
Indicadores-chave e metas de acompanhamento (exemplos práticos)
| Indicador | Meta sugerida | Periodicidade | Observações |
|---|---|---|---|
| Adequação energética | ≥ 80% da meta em 72 h | Diária em internação | Considerar risco de realimentação |
| Proteínas | 1,2–2,0 g/kg/d (adultos, individualizar) | Diária/semanal | Ajustar para função renal/hepática |
| Variação ponderal | Evitar perdas > 2%/semana | Semanal (amb.)/Diária (UTI) | Interpretar com edema/ascite |
| Força de preensão | Estabilizar ou melhorar | Semanal/mensal | Indicador funcional prognóstico |
| Tolerância GI | Ausência de vômitos/diarreia | Diária | Registrar interrupções e resíduos |
| Marcadores inflamatórios | Tendência de queda (quando aplicável) | Conforme protocolo | Contextualizar com quadro clínico |
Qual a importância da comparação entre avaliações
A evolução nutricional só é realmente útil quando comparada com avaliações anteriores. O objetivo é verificar se houve melhora, estabilidade ou piora do estado nutricional e se o plano proposto está alcançando os resultados esperados. [9][12]
Na prática, isso significa comparar peso, ingestão alimentar, aceitação da dieta, sintomas gastrointestinais, marcadores laboratoriais e sinais físicos. A repetição da avaliação em intervalos definidos permite identificar falhas precocemente e evitar agravamentos. [2][9]
- Melhora: aumento da aceitação alimentar, ganho ponderal ou redução de sintomas.
- Estabilidade: manutenção de parâmetros com controle clínico adequado.
- Piora: perda de peso, baixa ingestão, intolerância ou sinais de desnutrição.
Gráficos de tendência e linhas de base (run charts) podem ser incorporados ao prontuário eletrônico para visualizar resposta à intervenção, qualificando o raciocínio clínico e a tomada de decisão. [12][19]
Boas práticas para escrever uma evolução nutricional objetiva
Uma documentação eficiente deve ser clara, técnica e sem excessos. O texto precisa ser compreensível para toda a equipe multiprofissional, sem perder precisão clínica e juridicidade.
- Use linguagem técnica, mas direta.
- Evite termos vagos como “paciente evolui bem” sem explicar os dados.
- Descreva números sempre que possível.
- Registre mudanças relevantes desde a última avaliação.
- Associe achados clínicos à conduta nutricional.
- Priorize informações que alterem a tomada de decisão.
Além disso, a documentação deve constar no prontuário físico ou eletrônico com responsabilidade técnica e rastreabilidade. Isso reforça a segurança do paciente e favorece auditorias, continuidade do cuidado e análise de qualidade assistencial. [10][14]
Aspectos éticos e legais também fazem parte do registro nutricional: identificação do profissional com registro no CRN, data/hora, legibilidade, padronização terminológica e proteção de dados em conformidade com políticas institucionais e boas práticas de documentação clínica. Evite abreviações não padronizadas (ex.: “s/”, “c/”, “qd” fora de glossário institucional) ou expressões ambíguas que comprometam a interpretação multiprofissional. [8][14][19]
Frases e estruturas úteis (copiar e colar)
- “Desde a última avaliação (data), ingestão atingiu X% da meta energética e Y% da meta proteica; principais barreiras: (listar).”
- “Exame físico: depleção muscular moderada em (locais), edema (grau) em (membros), pele íntegra/lesões (descrever).”
- “Diagnóstico (PES): (Problema) relacionado a (Etiologia) evidenciado por (Sinais/Sintomas mensuráveis).”
- “Conduta: manter/ajustar (via/fórmula/velocidade), meta de (kcal/g proteína), reavaliar em (prazo).”
- “Resultado esperado: (indicador) ≥ (valor) até (data); se não atingir, considerar (plano B).”
Erros comuns no registro nutricional e como evitá-los
Mesmo profissionais experientes podem cometer falhas na linha do tempo clínica. Os erros mais frequentes comprometem a utilidade do registro e dificultam o acompanhamento longitudinal.
- Foco excessivo em descrição subjetiva: faltam dados mensuráveis.
- Ausência de correlação clínica: os sinais são listados, mas não interpretados.
- Repetição de texto padrão: o registro não reflete a evolução real.
- Omissão de sintomas gastrointestinais: que são decisivos para a conduta.
- Ignorar tendência ponderal: peso isolado sem comparação perde valor.
Para evitar esses problemas, a melhor estratégia é usar um roteiro fixo de coleta e revisão, adaptando a evolução ao diagnóstico nutricional e às necessidades do paciente. [1][8]
- Não estimar necessidades: ausência de metas calórico-proteicas inviabiliza avaliar eficácia. [7][11]
- Desalinhamento com o PES: intervenções que não respondem ao diagnóstico nutricional. [1]
- Laboratórios copiados sem análise: falta de interpretação clínica e plano de ação. [4][5]
- Não registrar eventos críticos: pausas de dieta, intercorrências, mudanças de via (oral/enteral/parenteral). [11][14]
Exemplo de aplicação do acompanhamento nutricional baseado em dados clínicos
Imagine um paciente internado com baixa aceitação alimentar, náuseas e perda de peso recente. A documentação pode registrar o quadro clínico, a ingestão reduzida nas últimas 48 horas, o exame físico com redução de massa muscular e a presença de constipação. Com base nisso, a conduta pode incluir ajuste da dieta, fracionamento das refeições, hidratação orientada e suplementação oral, com reavaliação diária. [1][8][14]
Esse tipo de registro mostra claramente o raciocínio clínico: o dado foi coletado, interpretado e transformado em decisão. Isso é o que diferencia um acompanhamento útil de um simples relatório descritivo.
Ao expandir esse exemplo, quantifique metas (ex.: 1,5 g/kg/d de proteína, 25–30 kcal/kg/d) e documente resultados práticos (ex.: aceitação de 75% das refeições, redução da náusea de 8/10 para 3/10 em 48 h), elevando a precisão e a rastreabilidade do cuidado. [1][7][11]
Estudos de caso rápidos (vida real)
- Enfermaria cirúrgica: paciente pós-operatório com pausa frequente da dieta enteral para exames. A equipe registra cada interrupção (motivo/duração/volume não infundido), calcula déficit calórico-proteico acumulado e implementa estratégia compensatória (ajuste de velocidade/turnos noturnos) com melhora da adequação para >85% em 72 h. [11][14]
- Ambulatório de oncologia: adulto com mucosite e aversões alimentares. Plano inclui adaptação de textura, analgesia pré-refeição, suplemento hipercalórico/hiperproteico e metas semanais. Indicadores mostram estabilização de peso e aumento da força de preensão em 4 semanas, suportando continuidade do tratamento.
Aplicações práticas na rotina profissional
Ambulatório e atenção primária
- Registro seriado de peso, IMC, circunferências e metas de ingestão com plano educativo. [10]
- Acompanhamento com reforço comportamental, metas SMART e revisão de barreiras socioeconômicas.
Enfermaria/UTI
- Monitorar adequação diária de dieta enteral/parenteral e tolerância; registrar pausas de dieta, ajustes de fórmula e metas de proteína. [7][11]
- Aplicar GLIM e SGA para classificar gravidade e orientar priorização da conduta no registro evolutivo. [2][6]
Oncologia, geriatria e reabilitação
- Mapear risco de sarcopenia, caquexia e dinapenia com medidas funcionais e antropometria ampliada. [17]
- Vincular o acompanhamento a desfechos clínicos: tolerância a tratamento, força e autonomia funcional.
Por que a formação contínua é essencial para o acompanhamento nutricional
A atualização científica constante permite interpretar evidências, aplicar diretrizes (GLIM, ASPEN, ESPEN, NICE) e documentar com precisão o progresso do estado nutricional. Isso fortalece autoridade técnica (EEAT), reduz variabilidade assistencial e impacta diretamente a segurança e a qualidade de vida do paciente. [1][2][3][7]
A Plenitude Educação apoia o desenvolvimento profissional com cursos e trilhas de formação voltados a avaliação, diagnóstico e registro evolutivo em diferentes cenários assistenciais, conectando teoria, prática e responsabilidade ética na atuação clínica.
Tendências e inovações no monitoramento clínico-nutricional
O cenário de cuidado vem incorporando tecnologias e processos que aumentam a precisão e a agilidade do registro, com impacto direto na tomada de decisão.
- Prontuário eletrônico estruturado (FHIR/terminologias padronizadas): campos obrigatórios, listas suspensas e validações reduzem omissões e facilitam auditorias. [19]
- Ferramentas de análise de dados e painéis de indicadores: run charts, alertas para baixa adequação e detecção precoce de risco de realimentação otimizam resposta da equipe.
- Integração com dispositivos e medidas funcionais: dinamômetros, balanças com transmissão automática e BIA agilizam coleta e reduzem erros de transcrição.
- IA clínica para sumarização e NLP: apoio à padronização do texto evolutivo e à extração de indicadores; exige revisão humana e critérios éticos para uso seguro.
- Foco em desfechos que importam ao paciente (PROMs/PREMs): satisfação, dor, fadiga, autonomia funcional e retorno às atividades complementam biomarcadores e medidas tradicionais.
Estudo de caso: unidade de UTI implantou painel diário de adequação calórico-proteica com alerta em vermelho para pacientes < 60% da meta por 24 h; em 3 meses, o serviço reduziu dias consecutivos de baixa adequação e viu queda nas interrupções de dieta não justificadas.
Top 12 dicas práticas para documentar com precisão
- Comece pelo problema prioritário e descreva a linha do tempo desde a última visita.
- Converta sintomas em números (frequência, intensidade, duração) sempre que possível.
- Use metas SMART (específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes, temporais).
- Valide dados com a equipe (enfermagem/farmácia/fono) e registre o consenso multiprofissional.
- Evite copiar/colar integral: atualize campos críticos e destaque o que mudou.
- Inclua justificativas para pausas e déficit acumulado, com plano de compensação.
- Documente educação do paciente/família e orientação recebida.
- Padronize abreviações via glossário institucional e anexe-o ao protocolo de atendimento.
- Revise ortografia e coerência clínica antes de assinar; textos claros evitam retrabalho.
- Use listas/bullets para itens seriados (sintomas, metas, ajustes) e facilite o scan da página.
- Finalize com próximos passos e data de reavaliação; isso guia a continuidade do cuidado.
- Proteja dados sensíveis conforme LGPD e políticas internas; registre consentimentos. [20]
Como se atualizar na área e aprimorar sua documentação evolutiva
- Estudar NCP/ADIME e enunciados PES focados em problemas, causas e sinais mensuráveis. [1]
- Dominar critérios GLIM e ferramentas SGA, NRS-2002 e MUST para qualificar a linha do tempo clínica. [2][6][15][13]
- Revisar guias ASPEN/ESPEN/NICE sobre necessidades, tolerância e monitoramento. [3][5][7]
- Participar de cursos, especializações e educação continuada com foco prático em documentação e auditoria de desfechos, como os ofertados pela Plenitude Educação.
- Integrar prontuário eletrônico, protocolos institucionais e checklists do acompanhamento para reduzir omissões. [14][19]
FAQ – Dúvidas frequentes sobre evolução nutricional baseada em dados clínicos
Qual a periodicidade ideal para registrar a evolução nutricional?
Varia conforme o risco e o cenário. Em internação/UTI, a recomendação é diário ou conforme mudanças clinicamente significativas; em ambulatório, a cada consulta com metas e reavaliação programada. [7][11]
Qual a diferença entre avaliação, diagnóstico e evolução nutricional?
Avaliação coleta dados; o diagnóstico (PES) define o problema e sua causa; a evolução nutricional monitora respostas e ajusta intervenções com base em indicadores. [1]
Albumina e pré-albumina são bons marcadores do estado nutricional?
Não isoladamente. São influenciadas por inflamação e doença; seu uso deve ser contextualizado com outros achados clínicos e funcionais na documentação evolutiva. [4][5]
Quais ferramentas padronizadas auxiliam a evolução nutricional?
GLIM, SGA, NRS-2002 e MUST, além do NCP/ADIME para estrutura do registro, fortalecem a confiabilidade do acompanhamento clínico. [1][2][6][15][13]
Como registrar interrupções de dieta enteral/parenteral?
Descreva motivo, duração, volume não infundido, ajustes de meta e medidas compensatórias, justificando no prontuário o impacto na adequação proteico-calórica. [11][14]
Como evidenciar desfechos na evolução nutricional?
Inclua indicadores quantitativos (adequação % de energia/proteína, variação de peso/massa, força de preensão, sintomas) e qualitativos (tolerância, adesão, funcionalidade) com datas e metas. [1][2][7]
Há particularidades pediátricas e geriátricas na evolução nutricional?
Sim. Em pediatria, curvas de crescimento e ingestão por kg são centrais; em geriatria, sarcopenia e funcionalidade têm grande peso na análise longitudinal. [7][17]
Quais cuidados éticos e legais devo adotar ao documentar?
Identificação profissional, data/hora, linguagem padronizada, sigilo e registro em sistema confiável; adote normas institucionais e padrões de acreditação. [8][14][19]
O que fazer quando não há peso atual disponível?
Registre a impossibilidade, use medidas alternativas (circunferências, CB, CP), avalie sinais físicos e, quando viável, estime peso/altura por métodos validados, explicitando a técnica utilizada e o plano para obtenção do dado direto em próxima avaliação.
Como lidar com risco de síndrome de realimentação na prática?
Inicie oferta calórica/proteica de forma progressiva, monitore eletrólitos (P, K, Mg) e sinais vitais, registre metas diárias escalonadas e intervenções preventivas (tiamina, ajuste de fluidos), com reavaliação frequente nas primeiras 72 horas. [7][11]
Posso usar BIA e dinamometria em todas as situações?
Não. Registre contraindicações/limitações (edema importante, dispositivos implantados, incapacidade de apreensão manual) e escolha alternativas válidas (semiologia muscular, medidas antropométricas) conforme o contexto clínico.
Conclusão
Fazer evolução nutricional baseada em dados clínicos exige método, observação e raciocínio crítico. Quanto mais completa e organizada for a coleta de informações, melhor será a capacidade de monitorar o paciente, ajustar a terapia nutricional e registrar a resposta ao tratamento.
Ao integrar história clínica, sinais e sintomas, antropometria, exame físico e exames laboratoriais, o profissional constrói uma documentação segura, útil e alinhada às boas práticas assistenciais. Dessa forma, o registro evolutivo deixa de ser apenas um documento e passa a ser uma ferramenta estratégica para a qualidade do cuidado, a comunicação multiprofissional e a mensuração de desfechos.
Para quem busca aprofundar competências com foco em resultados e segurança do paciente, a Plenitude Educação oferece caminhos formativos que fortalecem a prática baseada em evidências e a excelência no acompanhamento clínico-nutricional em todos os níveis de atenção.
Referências
- Academy of Nutrition and Dietetics. Nutrition Care Process (NCP) and ADIME – Evidence Analysis Library/eNCPT. 2020.
- Cederholm T, et al. GLIM criteria for the diagnosis of malnutrition – A consensus report. Clinical Nutrition. 2019.
- White JV, et al. Consensus Statement: Characteristics Recommended for the Identification and Documentation of Adult Malnutrition. JPEN. 2012 (updates).
- Jensen GL, et al. Inflammation, serum albumin, and prealbumin are poor markers of nutrition: An ASPEN Position Paper. JPEN. 2017.
- Mueller C, Compher C, Ellen DM. ASPEN Clinical Guidelines: Nutrition screening, assessment, and care of hospitalized adult. JPEN. 2011.
- Detsky AS, et al. What is Subjective Global Assessment (SGA)? JPEN. 1987.
- NICE. Nutrition support for adults: oral nutrition support, enteral tube feeding and parenteral nutrition (CG32). 2006, updated 2017.
- Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Resolução n.º 600/2018 – Dispõe sobre atribuições do nutricionista e documentação do atendimento.
- ESPEN. Terminology and definitions in clinical nutrition. Clinical Nutrition. 2017.
- Ministério da Saúde. SISVAN – Orientações para a avaliação do estado nutricional. 2011/2019.
- BRASPEN/BRASPEN. Diretriz Brasileira para Terapia Nutricional Enteral e Parenteral em Adultos. 2021.
- Academy of Nutrition and Dietetics. Nutrition Monitoring and Evaluation (NME) Indicators – eNCPT. 2020.
- BAPEN. Malnutrition Universal Screening Tool (MUST) – Explanatory Booklet. 2011.
- Joint Commission International. Accreditation Standards for Hospitals. 7th ed. 2020.
- Kondrup J, et al. Nutritional Risk Screening (NRS-2002). Clinical Nutrition. 2003.
- GLIM Core leadership. Implementation of the GLIM criteria for malnutrition. 2020.
- Cruz-Jentoft AJ, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis (EWGSOP2). Age and Ageing. 2019.
- Cochrane Review. Oral nutritional supplements in malnourished patients: outcomes and efficacy. 2012 (with updates).
- SBIS/CFM. Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde (S-RES). 2019.
- Lei n.º 13.709/2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) – Brasil.
