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Desnutrição hospitalar em idosos: sinais que não podem passar despercebidos

A desnutrição hospitalar em idosos é um problema frequente, silencioso e, muitas vezes, subestimado. Em internações, a combinação entre doença, jejum, dor, dificuldade para se alimentar e perda de apetite pode acelerar a perda de peso e comprometer a recuperação. Em pessoas idosas, esse risco é ainda maior, porque o organismo já costuma ter menos reserva nutricional e mais vulnerabilidade clínica.

Reconhecer os sinais cedo faz diferença no desfecho do paciente. Queda da ingestão alimentar, emagrecimento involuntário, fraqueza, dificuldade para mastigar ou engolir e piora da funcionalidade podem indicar que o estado nutricional já está comprometido e exige atenção imediata.

De forma objetiva: a desnutrição hospitalar em idosos é um estado de desequilíbrio energético-proteico associado a inflamação e/ou doença aguda ou crônica, que leva à perda de massa magra, piora funcional e aumento de complicações clínicas, sendo mandatória a identificação e a intervenção precoces para otimizar a recuperação e a alta segura [1][2].

No hospital: por que o problema merece atenção

O quadro pode surgir antes da internação, piorar durante a permanência no hospital ou se instalar pela soma de vários fatores. Em idosos, isso inclui doenças agudas, inflamação, uso de medicamentos, limitações físicas e redução da autonomia para comer. Diretrizes internacionais recomendam rastrear o risco nutricional logo na admissão e repetir a avaliação ao longo da internação.

O impacto vai além da perda de peso. Quando o idoso não recebe energia e proteínas em quantidade adequada, há maior risco de infecções, feridas de difícil cicatrização, fraqueza muscular, quedas, prolongamento da internação e reinternações.

Estudos em hospitais gerais mostram prevalência do problema de 20% a 50%, associada a maior tempo de permanência, custos elevados e mortalidade aumentada [1][2][10]. Evidências apontam que metas de 25–30 kcal/kg/dia e 1,0–1,5 g de proteína/kg/dia, ajustadas à condição clínica e função renal/hepática, reduzem complicações e favorecem alta precoce quando implementadas por equipes treinadas [1][3][10]. Para Plenitude Educação, isso reforça a necessidade de formação continuada em avaliação e terapia nutricional baseada em evidências.

Em 30 segundos: o essencial

  • Quem está em maior risco: idosos frágeis, com doenças agudas, polifarmácia, disfagia, demência, DPOC, insuficiências cardíaca/renal/hepática, câncer e histórico de perda de peso.
  • O que acontece: redução de ingestão, perda de massa magra, piora funcional, mais infecções e internações prolongadas.
  • O que fazer agora: triagem na admissão, metas proteico-energéticas claras, plano de alimentação seguro, monitoramento a cada 48–72 horas e envolvimento multiprofissional.

Sinais iniciais que não devem ser ignorados

Os primeiros sinais costumam aparecer de forma discreta. A observação diária da equipe e da família é essencial para perceber mudanças no comportamento alimentar e no estado geral. Entre os alertas mais comuns estão:

  • Perda de apetite ou recusa frequente das refeições.
  • Redução da ingestão alimentar, mesmo quando a comida é oferecida.
  • Perda de peso involuntária, ainda que aparentemente pequena.
  • Cansaço excessivo em repouso ou ao realizar pequenos esforços.
  • Fraqueza muscular e lentidão para levantar, sentar ou caminhar.
  • Desinteresse pelas refeições e isolamento no horário de comer.
  • Náuseas, vômitos, diarreia ou constipação persistentes.

Quando esses sinais aparecem juntos, o risco nutricional deve ser considerado com urgência. Em muitos casos, o emagrecimento já vem acompanhado de perda de massa muscular, o que agrava a fragilidade e dificulta a reabilitação.

Indicadores operacionais que fortalecem a suspeita incluem ingestão <50% das necessidades por ≥3 dias, perda >5% do peso em 1 mês ou >10% em 6 meses, circunferência da panturrilha <31 cm, força de preensão manual reduzida e escore SARC-F ≥4 para triagem de sarcopenia [2][7]. Capacitar equipes para reconhecer esses marcadores aumenta a sensibilidade do rastreio e antecipa a intervenção, com impacto direto na segurança do paciente.

O que perguntar na visita clínica

  • O paciente comeu quanto da última bandeja (0%, 25%, 50%, 75% ou 100%)?
  • Houve engasgos, tosse, dor ao engolir ou fadiga durante a refeição?
  • Como está o hábito intestinal e o controle de náuseas/dor?
  • Houve perda de peso nas últimas semanas ou ajuste recente de prótese dentária?
  • O paciente precisa de ajuda para levar o alimento à boca ou cortar os alimentos?

Estudo de caso breve

Idosa de 79 anos, internada por pneumonia, recusa 50–75% das refeições por três dias, relata fadiga para mastigar e apresenta circunferência de panturrilha de 30 cm. Intervenção com textura adaptada, suplementação oral hiperproteica fracionada e tempo protegido de refeições elevou a ingestão para 80% em 72 horas, com melhora de força de preensão manual e deambulação assistida.

Sinais físicos que podem passar despercebidos

Além das mudanças de apetite e peso, existem sinais corporais que ajudam a identificar a desnutrição. Eles podem ser vistos no exame físico e também no cotidiano, ao vestir a roupa, levantar da cama ou tomar banho.

Alterações corporais mais comuns

  • Face mais magra, com olhos fundos e têmporas cavadas.
  • Ossos mais salientes, especialmente costelas, clavículas e omoplatas.
  • Pele fina, ressecada e mais frágil.
  • Perda de gordura subcutânea em braços, mãos e pernas.
  • Redução dos perímetros musculares.
  • Edema, que pode mascarar a perda de peso em alguns casos.

Esses achados são particularmente importantes porque o déficit nutricional nem sempre aparece como magreza evidente. Pacientes com sobrepeso também podem estar desnutridos, principalmente quando há perda de massa muscular e consumo alimentar insuficiente.

No exame físico nutricional, valorize assimetrias e depressões musculares (deltoide, interósseos, vasto medial), além de pele e mucosas. A condição frequentemente coexiste com sarcopenia; por isso, integrar avaliação funcional (preensão manual, velocidade de marcha quando possível) melhora a acurácia diagnóstica e direciona plano de cuidado com fisioterapia, nutrição e fonoaudiologia [7].

Como medir a circunferência da panturrilha corretamente

  • Posicione o paciente sentado, joelho a 90° e pé apoiado.
  • Localize o maior perímetro da panturrilha e meça com fita inextensível.
  • Registre o valor sem compressão excessiva da pele. Valores <31 cm sugerem redução de massa muscular em idosos.

Causas mais frequentes durante a internação

Vários fatores contribuem para a piora do estado nutricional no hospital. Entender essas causas ajuda a prevenir o problema e a agir antes que ele se torne grave.

  • Jejum prolongado para exames ou procedimentos.
  • Dor e mal-estar, que reduzem a vontade de comer.
  • Disfagia, ou dificuldade para engolir.
  • Mastigação prejudicada, por problemas dentários ou prótese mal ajustada.
  • Alterações no paladar e no olfato.
  • Efeitos colaterais de medicamentos, como náuseas e sonolência.
  • Dependência para alimentação sem apoio adequado.
  • Ambiente hospitalar pouco favorável, com horários rígidos e interrupções frequentes.

Em idosos frágeis, esses fatores atuam em conjunto. Por isso, a evolução negativa pode ser rápida e exige monitoramento contínuo.

Outros determinantes relevantes incluem subalimentação iatrogênica (atrasos em liberar dieta/enteral), delírio e depressão, polifarmácia (opiáceos, digoxina, metformina, diuréticos), constipação, dietas restritivas sem indicação atual e inconsistência na oferta de ajuda para alimentar-se. Protocolos como tempo protegido de refeições e padronização de níveis IDDSI para consistências reduzem risco de aspiração e melhoram a ingestão [8]. Qualificar a equipe para identificar e mitigar esses fatores é competência profissional estratégica.

Consequências para a recuperação

Quando o estado nutricional piora, o corpo perde capacidade de responder ao tratamento. A recuperação fica mais lenta e o risco de complicações aumenta significativamente.

As principais consequências incluem:

  • Maior risco de infecções.
  • Cicatrização mais lenta de feridas e lesões.
  • Perda de força e mobilidade.
  • Maior chance de quedas e fraturas.
  • Aumento do tempo de internação.
  • Mais reinternações após a alta.
  • Pior tolerância aos tratamentos.

A condição também pode comprometer a autonomia. Um paciente que antes se alimentava sozinho pode passar a precisar de ajuda para tarefas básicas, o que reforça a importância da intervenção precoce.

Além disso, a desnutrição hospitalar em idosos está ligada a maior incidência de lesão por pressão, dificuldade de desmame ventilatório por fraqueza diafragmática, atraso de reabilitação e pior qualidade de vida pós-alta. O impacto na carreira do profissional da saúde é direto: protocolos efetivos de terapia nutricional elevam desfechos institucionais e fortalecem a atuação ética e baseada em evidências [1][9][10].

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico não depende apenas da aparência. Ele exige avaliação clínica, observação do consumo alimentar, histórico de perda de peso e, quando necessário, exames complementares. Ferramentas de triagem nutricional devem ser aplicadas na admissão hospitalar e repetidas durante a internação.

Elementos usados na avaliação

  • História de perda de peso recente.
  • Redução da ingestão alimentar.
  • Presença de sintomas gastrointestinais.
  • Exame físico nutricional.
  • Avaliação da força muscular e funcionalidade.
  • Condições que possam mascarar a perda de peso, como edema.

Em linhas gerais, o diagnóstico da desnutrição hospitalar em idosos considera combinação de sinais clínicos e redução de consumo, com destaque para perda de massa muscular, perda ponderal e queda da força.

Na prática avançada, recomenda-se triagem com NRS-2002, MUST ou MNA-SF, seguida de confirmação por critérios GLIM (um fenotípico + um etiológico). Marcadores como albumina e pré-albumina são influenciados por inflamação e não devem ser usados isoladamente para diagnosticar o quadro [2][4][5][6]. Métodos como dinamometria, circunferências, bioimpedância e análise de imagens (TC em L3, quando disponível) agregam robustez à avaliação [2][7].

Ferramenta Contexto Ponto de corte Observações
NRS-2002 Hospital geral ≥3 = risco Considera gravidade da doença e idade ≥70 anos [4]
MNA-SF Idosos ≤7 = desnutrido; 8–11 = risco Alta sensibilidade em geriatria [5]
MUST Clínico/ambulatorial ≥2 = alto risco Integra IMC e perda ponderal [6]
GLIM Confirmação ≥1 fenotípico + ≥1 etiológico Define gravidade por perda de peso/IMC/massa magra [2]

Fluxo prático de decisão (beira-leito)

  1. Triagem na admissão (NRS-2002/MNA-SF/MUST) e classificação do risco.
  2. Avaliação detalhada quando em risco: história nutricional, exame físico, funcionalidade e inflamação.
  3. Confirmação por critérios GLIM e definição de gravidade.
  4. Prescrição de metas energéticas e proteicas e plano de via de alimentação (oral, enteral ou mista).
  5. Monitoramento de ingestão diária, força de preensão, peso/edema e efeitos adversos; ajuste dinâmico do plano.

Prevenção dentro do hospital

Prevenir é mais eficaz do que corrigir tarde demais. A atuação precoce reduz complicações e melhora a resposta clínica. A prevenção da desnutrição hospitalar em idosos deve ser multidisciplinar, envolvendo equipe médica, nutrição, enfermagem, fonoaudiologia e fisioterapia.

  • Realizar triagem nutricional logo na admissão.
  • Monitorar peso, ingestão alimentar e sinais de fraqueza.
  • Adaptar textura e consistência dos alimentos quando houver disfagia.
  • Garantir ajuda durante as refeições para pacientes dependentes.
  • Evitar jejuns desnecessários e reduzir interrupções nas refeições.
  • Tratar dor, constipação, náuseas e outros sintomas que atrapalham a alimentação.
  • Considerar suplementação oral, enteral ou outras estratégias quando indicadas.

Também é importante criar um ambiente favorável à alimentação, com tempo suficiente para comer, posição adequada e estímulo à autonomia sempre que possível.

Boas práticas adicionais para conter o declínio nutricional incluem metas energéticas e proteicas individualizadas, fracionamento e enriquecimento proteico-energético, distribuição de proteína ao longo do dia (25–30 g/refeição, com foco em leucina), avaliação de vitamina D e micronutrientes, protocolo de início precoce de nutrição enteral quando ingestão <50% por 48–72 h, prevenção de síndrome de realimentação (tiamina e correção eletrolítica), e mobilização precoce com fisioterapia [1][3][9][12]. O domínio técnico desses protocolos é diferencial de carreira para profissionais formados pela Plenitude Educação.

Caso prático: disfagia pós-AVC

Homem, 82 anos, pós-AVC isquêmico, tosse à deglutição e perda de peso prévia de 6% em um mês. Implementado nível IDDSI adequado, treino fonoaudiológico, posição a 90° e suplementação hiperproteica entre refeições. Em cinco dias, ingestão subiu para 70–80% das necessidades e houve regressão de sinais de penetração laríngea, com ausência de pneumonia aspirativa.

Quando buscar ajuda imediatamente

Alguns sinais indicam necessidade de avaliação rápida. Se o idoso deixa de comer por mais de um dia, apresenta perda de peso visível, engasgos frequentes, fraqueza acentuada ou dificuldade para se levantar e caminhar, a investigação deve ser imediata.

O mesmo vale para pacientes com confusão mental, feridas que não cicatrizam, edema inexplicado ou episódios repetidos de náusea, vômito e diarreia. Nesses casos, o comprometimento nutricional pode estar avançando rapidamente e precisa de intervenção profissional.

Outros gatilhos para ação urgente: ingestão <25% das refeições por 24–48 h, NPO prolongado sem plano nutricional, SARC-F ≥4 com queda funcional súbita, evidência de aspiração, hipofosfatemia na realimentação e delirium. A conduta ética implica acionar a equipe multiprofissional e documentar metas e evolução no prontuário, garantindo segurança e continuidade do cuidado.

Conclusão

A desnutrição hospitalar em idosos é um quadro sério, comum e muitas vezes evitável. Os sinais de alerta incluem perda de apetite, redução da ingestão, emagrecimento involuntário, fraqueza muscular, alterações físicas e piora da funcionalidade. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de recuperação, menor o risco de complicações e melhor a qualidade da alta hospitalar.

Observar, rastrear e intervir precocemente são passos essenciais para proteger o idoso durante a internação. Reconhecer os sinais que não podem passar despercebidos é o primeiro cuidado para evitar que a desnutrição se torne mais grave e comprometa todo o tratamento.

Aplicações práticas na rotina profissional para desnutrição hospitalar em idosos

  • Na admissão, aplique NRS-2002 ou MNA-SF e documente risco nutricional; reavalie em 48–72 h.
  • Estime necessidades: 25–30 kcal/kg/dia e 1,2–1,5 g proteína/kg/dia (ajuste para doença renal/hepática) [1][3].
  • Implemente “refeições protegidas”: minimize interrupções e garanta ajuda para alimentar-se.
  • Para disfagia, utilize níveis IDDSI e acione fonoaudiologia; adapte utensílios e posição a 90° [8].
  • Prescreva suplementação oral hipercalórica e hiperproteica quando ingestão <75% das necessidades; fracione 2–3 vezes/dia [9].
  • Considere nutrição enteral em até 24–48 h se via oral insuficiente ou insegura; previna síndrome de realimentação [12].
  • Monitore força de preensão manual, ingestão diária (%), balanço proteico-energético e evolução de peso/edema.
  • Atue em conjunto com fisioterapia para estímulo de mobilidade e preservação de massa magra (prevenção de sarcopenia) [7].
  • Eduque família/cuidador sobre sinais do risco nutricional e plano pós-alta, fortalecendo a transição de cuidado.
  • Padronize anotações no prontuário: metas, via de alimentação, adesão, barreiras e ajustes realizados no plano nutricional.

Erros comuns na atuação profissional diante da desnutrição hospitalar em idosos

  • Confiar apenas em IMC/albumina para diagnosticar o comprometimento nutricional.
  • Manter jejuns prolongados sem estratégia nutricional compensatória.
  • Subestimar disfagia ou não padronizar consistências segundo IDDSI.
  • Adiar suplementação ou nutrição enteral apesar de ingestão <50% por 48–72 h.
  • Não ajustar metas de proteína para condição clínica e função renal.
  • Ignorar prevenção de síndrome de realimentação em pacientes de alto risco.
  • Falta de registro e de metas claras no plano terapêutico multiprofissional.
  • Não envolver família/cuidador em orientações objetivas para continuidade do cuidado pós-alta.

Por que a formação contínua é essencial em desnutrição hospitalar em idosos

O manejo de desnutrição hospitalar em idosos exige atualização permanente em diretrizes (ESPEN, ASPEN, GLIM, IDDSI), raciocínio clínico interprofissional e tomada de decisão ética. Profissionais capacitados elevam a segurança do paciente, reduzem complicações, fortalecem indicadores institucionais e ampliam oportunidades de carreira em hospitais, clínicas e atenção domiciliar. A Plenitude Educação integra ciência e prática com cursos e trilhas de especialização em Avaliação Nutricional do Idoso, Disfagia e Terapia Nutricional, Reabilitação e Cuidado Centrado na Pessoa, potencializando competências técnicas e comportamentais (comunicação, liderança clínica e tomada de decisão).

Tendências e desafios na prática

  • Uso de escores digitais no prontuário para rastrear ingestão e risco nutricional em tempo real.
  • Protocolos de mobilização precoce integrados à prescrição proteica para preservar massa magra.
  • Padronização ampla do IDDSI, reduzindo aspiração e melhorando a adesão alimentar.
  • Planos de transição de cuidado com telemonitoramento pós-alta para reduzir reinternações.

Como se atualizar na área e impulsionar a carreira

  • Acompanhe diretrizes: ESPEN/GERIATRIA, ASPEN, BRASPEN, GLIM, EWGSOP2 (sarcopenia) e IDDSI.
  • Participe de jornadas clínicas, simulações realísticas e grupos de estudo focados no cuidado nutricional do idoso internado.
  • Mantenha certificações e educação continuada, com ênfase em avaliação funcional, prescrição de suplementação e segurança do paciente.
  • Desenvolva habilidades em comunicação clínica para educação do paciente e da família.
  • Conecte-se à Plenitude Educação para trilhas formativas integradas à prática, com mentoria e atualização científica contínua.
  • Explore ferramentas digitais de auditoria de bandejas e cálculo automático de ingestão para decisões mais rápidas e precisas.

Checklist rápido de prevenção e manejo no hospital

Primeiras 24 horas

  • Triagem nutricional e avaliação do risco de disfagia.
  • Definição de metas calórico-proteicas e via de alimentação mais segura.
  • Ordem de “refeição protegida” e analgesia/antiemese otimizadas.

Entre 48–72 horas

  • Conferir ingestão real (% das necessidades) e ajustar suplementação.
  • Iniciar/ajustar nutrição enteral se ingestão oral insuficiente.
  • Monitorar eletrólitos e sinais de síndrome de realimentação.

Até a alta

  • Documentar evolução funcional (preensão manual, marcha) e metas atingidas.
  • Plano alimentar domiciliar, prescrição de suplementos (quando indicados) e retorno ambulatorial.
  • Educação do cuidador e lista de sinais de alarme para reavaliação precoce.

FAQ – Nutrição hospitalar no idoso

Como diferenciar perda de peso “esperada” da desnutrição hospitalar em idosos?

Avalie velocidade da perda (>5%/1 mês ou >10%/6 meses), redução de ingestão, massa muscular e inflamação. Use triagem (NRS-2002/MNA-SF) e confirme pelos critérios GLIM [2][4][5].

Com que frequência rastrear desnutrição hospitalar em idosos durante a internação?

Na admissão e, no mínimo, a cada 48–72 horas, ou após eventos clínicos relevantes (cirurgias, infecções, mudança de dieta) [1][4].

Albumina baixa confirma desnutrição hospitalar em idosos?

Não. Albumina reflete inflamação e gravidade da doença; não deve ser usada isoladamente para diagnosticar desnutrição hospitalar em idosos [2].

Qual suplemento oral escolher para desnutrição hospitalar em idosos?

Preferir fórmulas hipercalóricas e hiperproteicas; considerar versões específicas (diabéticas, renais, com HMB) conforme comorbidades e metas proteicas [1][9].

Quando indicar nutrição enteral na desnutrição hospitalar em idosos?

Se ingestão oral for <50–75% das necessidades por 48–72 h, houver disfagia grave/risco de aspiração ou previsão de jejum prolongado, após avaliação multiprofissional [1][10].

Qual a meta de proteína na desnutrição hospitalar em idosos com sarcopenia?

Em geral 1,2–1,5 g/kg/dia, com distribuição uniforme ao longo do dia e estímulo de exercício/resistência, ajustando para função renal [3][7].

Como prevenir síndrome de realimentação na desnutrição hospitalar em idosos?

Inicie aporte gradualmente, corrija eletrólitos, administre tiamina e monitore fósforo, potássio e magnésio nas primeiras 72 horas [12].

Qual o papel da família no enfrentamento do risco nutricional?

Apoiar o consumo alimentar, sinalizar recusa de refeições, reforçar medidas de segurança (postura, ritmo) e participar do plano pós-alta com orientações claras.

Quem deve liderar a intervenção nutricional no hospital?

A condução é multiprofissional, com protagonismo do nutricionista na avaliação/prescrição e participação de médico, enfermagem, fonoaudiologia e fisioterapia, conforme barreiras identificadas.

O que fazer quando o paciente recusa suplementos orais?

Testar sabores/temperaturas diferentes, fracionar volumes, oferecer entre refeições, enriquecer preparações habituais e avaliar causas subjacentes (náuseas, dor, saciedade precoce).

Como ajustar proteína e energia em insuficiência renal aguda?

Individualizar conforme fase e terapia renal substitutiva: energia 25–30 kcal/kg/dia; proteína pode variar de 0,8–1,0 g/kg/dia (sem diálise) até 1,2–1,5 g/kg/dia (com diálise), sempre com acompanhamento clínico.

Como diferenciar sarcopenia de caquexia no idoso internado?

Sarcopenia centra-se em baixa massa e função muscular; caquexia envolve inflamação sistêmica, perda de peso e anorexia associadas à doença de base (ex.: câncer, IC). A abordagem nutricional e funcional deve considerar ambos os fenômenos.

Quais sinais laboratoriais devem ser monitorados no acompanhamento?

Eletrólitos (fósforo, potássio, magnésio), glicemia, função renal/hepática e vitamina D quando indicado; albumina/prealbumina têm valor prognóstico, mas não confirmam estado nutricional isoladamente.

Que orientações levar para casa na alta?

Plano alimentar simples e realista, prescrição de suplementos quando necessários, contatos para reavaliação, metas de ingestão e lista de sinais de alarme (queda de ingestão, engasgos, perda de força/peso).

Referências

  1. Volkert D, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition and hydration in geriatrics. Clin Nutr. 2019;38(1):10–47. https://doi.org/10.1016/j.clnu.2018.05.024
  2. Cederholm T, et al. GLIM criteria for the diagnosis of malnutrition. Clin Nutr. 2019;38(1):1–9. https://doi.org/10.1016/j.clnu.2018.08.002
  3. Bauer J, et al. PROT-AGE Study Group: protein intake in the elderly. J Am Med Dir Assoc. 2013;14(8):542–559. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.05.021
  4. Kondrup J, et al. Nutritional Risk Screening (NRS 2002). Clin Nutr. 2003;22(3):321–336. https://doi.org/10.1016/S0261-5614(02)00217-7
  5. Rubenstein LZ, et al. MNA-SF: a short form of the MNA. J Nutr Health Aging. 2001;5(2):85–93; Vellas B, 2006 update.
  6. Elia M. The ‘MUST’ report. BAPEN; 2003. https://www.bapen.org.uk
  7. Cruz-Jentoft AJ, et al. EWGSOP2: sarcopenia update. Age Ageing. 2019;48(1):16–31. https://doi.org/10.1093/ageing/afy169
  8. IDDSI Framework. International Dysphagia Diet Standardisation Initiative; 2019. https://iddsi.org
  9. Avenell A, Handoll HH. Cochrane Review: nutritional supplementation for older medical patients. Cochrane Database Syst Rev. 2010;CD003288; updates 2019.
  10. NICE. Nutrition support for adults (CG32). 2006, updated 2017. https://www.nice.org.uk/guidance/cg32
  11. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Diretrizes de terapia nutricional no paciente hospitalizado. 2018. https://www.braspen.org.br
  12. Da Silva JS, et al. ASPEN consensus recommendations for refeeding syndrome. Nutr Clin Pract. 2020;35(2):178–195. https://doi.org/10.1002/ncp.10474
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