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Dieta para diverticulite: o que comer durante e após uma crise

A alimentação pode ajudar a reduzir o desconforto e facilitar a recuperação durante uma crise de diverticulite, mas não substitui a avaliação médica. Em geral, a conduta muda conforme a intensidade dos sintomas: durante a fase aguda, pode ser necessário reduzir temporariamente as fibras; após a melhora, a dieta deve avançar de forma gradual até alcançar um padrão equilibrado e rico em fibras.

A dieta para diverticulite precisa ser individualizada. Dor intensa, febre, vômitos, barriga endurecida, sangramento nas fezes ou dificuldade para ingerir líquidos exigem atendimento médico imediato.

Em termos práticos, o plano alimentar busca três metas: reduzir estímulos mecânicos sobre o cólon inflamado na fase aguda, reintroduzir alimentos de forma progressiva conforme a tolerância e, após a recuperação, sustentar um padrão alimentar com fibras e hidratação adequadas para favorecer o trânsito intestinal e o conforto abdominal.[1][2]

Resumo rápido (para salvar)

  • Fase aguda leve: líquidos claros por curto período, com evolução precoce para baixa fibra assim que a dor e a náusea melhorarem.
  • Transição: introdução gradual de alimentos macios e pobres em resíduos, evoluindo para maior variedade conforme tolerância.
  • Manutenção: fibras em alta qualidade (solúveis e insolúveis), hidratação adequada e rotina ativa para prevenir constipação.
  • Sinais de alarme (procure atendimento): febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangue nas fezes, desidratação.

Durante a crise: estratégias alimentares essenciais

Em casos leves, o profissional de saúde pode recomendar uma alimentação líquida clara por curto período. O objetivo é diminuir o trabalho digestivo enquanto a inflamação melhora. Essa orientação não deve ser prolongada sem acompanhamento, pois pode causar falta de energia e de nutrientes.[1][2]

  • Água em pequenos goles ao longo do dia;
  • Caldo coado de frango, carne ou legumes;
  • Chás sem leite ou creme;
  • Suco de maçã, uva ou cranberry sem polpa;
  • Gelatina simples;
  • Água de coco, conforme orientação profissional.

Bebidas alcoólicas, preparações muito gordurosas e alimentos condimentados devem ser evitados nesse período. A quantidade e a duração da dieta líquida dependem da avaliação clínica.

Na fase aguda, a alimentação líquida clara é uma estratégia de curto prazo apoiada por diretrizes clínicas, que destacam a importância de evoluir a consistência assim que a dor e a náusea melhorarem, evitando desnutrição e prolongamento desnecessário de restrições.[1] Em pacientes estáveis, muitos serviços já permitem avanço precoce para opções de baixa fibra, conforme a resposta clínica.[2]

Exemplo prático de 24 horas (líquida clara)

  • Café da manhã: chá de camomila + suco de maçã coado + gelatina simples;
  • Lanche: água de coco em pequenos goles;
  • Almoço: caldo de frango coado + água;
  • Lanche: chá de erva-doce + suco de uva coado;
  • Jantar: caldo de legumes coado + gelatina simples;
  • Hidratação ao longo do dia: água e soro de reidratação oral, se indicado.

Quando adotar uma dieta com pouca fibra

Com a redução da dor e da náusea, a alimentação costuma evoluir para uma dieta pobre em fibras. Nessa fase, o intestino ainda pode estar sensível, e alimentos com cascas, sementes, bagaços e grãos integrais podem aumentar o volume fecal ou piorar o desconforto.

Essa abordagem com pouca fibra deve ser temporária. Ela não representa a alimentação ideal para prevenção, mas pode facilitar a transição entre a fase líquida e a dieta habitual.

Em termos científicos, uma dieta pobre em fibras reduz volume e frequência das fezes, diminuindo o estímulo mecânico na mucosa colônica. Embora a evidência de alta qualidade sobre “a melhor” textura na crise seja limitada, consensos clínicos apoiam a evolução para uma dieta pobre em fibras com base na tolerância, priorizando segurança e manutenção do estado nutricional.[1][2]

Alimentos geralmente mais bem tolerados

  • Arroz branco, macarrão simples e pão branco;
  • Batata, mandioquinha ou cenoura sem casca;
  • Frango, peixe, ovos e carnes magras bem cozidas;
  • Banana madura e frutas cozidas ou enlatadas sem casca e sementes;
  • Legumes cozidos e sem pele;
  • Leite, iogurte e queijos, se não provocarem sintomas;
  • Cereais refinados com baixo teor de fibras.

Faça refeições pequenas, de cinco a seis vezes ao dia, mastigue bem e observe a resposta do organismo. A hidratação continua essencial, especialmente quando há febre, diarreia ou redução da ingestão alimentar.[1]

Quantidades e metas na fase de baixa fibra

  • Meta diária de fibras: 10 a 15 g/dia por poucos dias, com supervisão;
  • Proteínas: 1,0–1,2 g/kg/dia para apoiar cicatrização e preservar massa magra, adaptado ao quadro clínico;
  • Energia: adequar à necessidade individual para evitar perda de peso involuntária.

Exemplos de porções úteis (fase pobre em fibras)

  • Arroz branco cozido: 1/2 a 1 xícara por refeição;
  • Peito de frango cozido/desfiado: 80–120 g por refeição;
  • Purê de batata sem casca: 1/2 xícara;
  • Banana prata madura: 1 unidade pequena;
  • Iogurte natural: 1 pote (160–170 g), se bem tolerado.

Como voltar à alimentação normal depois da crise

A retomada deve ser gradual. Quando a dor, a febre e a alteração intestinal melhorarem, introduza novos alimentos em pequenas quantidades. Evite mudar de uma dieta líquida diretamente para refeições grandes e ricas em fibras.

  • Primeiro, mantenha alimentos macios e com pouca fibra;
  • Depois, acrescente frutas sem casca e legumes bem cozidos;
  • Em seguida, teste pequenas porções de verduras e cereais integrais;
  • Aumente a variedade conforme a tolerância;
  • Interrompa a progressão e procure orientação se os sintomas retornarem.

Um diário alimentar pode ajudar a identificar intolerâncias individuais. Contudo, não há evidência de que um alimento específico cause todas as crises de diverticulite. Também não é necessário excluir permanentemente sementes, castanhas ou pipoca para todas as pessoas.[2]

Nessa fase de transição, o plano alimentar pode ganhar 5 g de fibra a cada 3–4 dias, sempre com reforço de hidratação. Para alguns pacientes, um suplemento de fibra solúvel (psyllium) pode ser considerado pelo profissional assistente, observando-se gases e tolerância.[1][3] Probióticos não têm evidência conclusiva para prevenir recorrências, mas podem ser testados caso a caso com orientação.[2]

Sinais de boa tolerância para avançar a consistência

  • Dor abdominal controlada e sem piora pós-refeições;
  • Ausência de febre e náuseas persistentes;
  • Evacuações com padrão em normalização (sem diarreia aquosa constante);
  • Boa aceitação hídrica e alimentação fracionada.

Após a recuperação: alimentação para manter o intestino saudável

Depois da fase aguda, o objetivo passa a ser melhorar o funcionamento intestinal e evitar a constipação. Para muitas pessoas, uma alimentação equilibrada e progressivamente rica em fibras contribui para a saúde intestinal e pode reduzir sintomas associados à doença diverticular.[3][4]

A fibra deve ser aumentada lentamente, pois uma elevação brusca pode provocar gases, distensão abdominal e cólicas. Inclua um alimento novo por vez e acompanhe a tolerância.

Fontes de fibras para incluir gradualmente

  • Frutas com casca, quando bem toleradas;
  • Verduras e legumes variados;
  • Aveia, cevada e pães integrais;
  • Feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
  • Arroz integral e outros cereais menos refinados;
  • Oleaginosas, como castanhas e amêndoas.

As necessidades variam conforme idade, peso, atividade física e saúde intestinal. Um nutricionista pode estabelecer a quantidade adequada e adaptar o plano para pessoas com diabetes, doença renal, intolerâncias alimentares ou histórico de surpresas cirúrgicas abdominais.

Do ponto de vista fisiológico, uma alimentação de manutenção, rica em fibras solúveis (aveia, leguminosas) e acompanhada de líquidos, favorece a formação de ácidos graxos de cadeia curta (como butirato), que nutrem o cólon e podem modular a inflamação. Estudo prospectivo indica que sementes, castanhas e pipoca não aumentam risco de diverticulite ou sangramento diverticular, desfazendo um mito histórico.[3] Diretrizes modernas reforçam que a orientação deve focar qualidade geral da alimentação, não proibições amplas e sem base científica.[1][2]

Como dosar a fibra ao longo das semanas

  • Semana 1–2: foco em fibras solúveis (aveia, banana, leguminosas bem cozidas) e porções pequenas de integrais;
  • Semana 3–4: ampliar variedade (verduras cruas em pequenas porções, cascas bem lavadas) se houver boa tolerância;
  • Semana 5 em diante: consolidar a rotina com 25–38 g/dia, ajustando a hidratação e o conforto abdominal.

Hidratação e funcionamento do intestino

O consumo de fibras deve vir acompanhado de líquidos suficientes. Sem hidratação adequada, o bolo fecal pode ficar ressecado, favorecendo a prisão de ventre. Beba água regularmente durante o dia, sem esperar sentir muita sede.

Atividade física leve, como caminhadas, também pode estimular o trânsito intestinal após a liberação médica. Evite fazer esforço durante a fase de dor intensa ou enquanto houver febre.

  • Observe a frequência e a consistência das evacuações;
  • Evite segurar a vontade de evacuar;
  • Aumente fibras e líquidos de forma progressiva;
  • Não use laxantes ou suplementos de fibras sem orientação;
  • Procure ajuda se a constipação persistir.

No plano de manutenção, metas usuais de ingestão hídrica variam conforme clima, atividade e condições clínicas; como referência geral, 30–35 mL/kg/dia pode ser considerado ponto de partida, com ajustes individuais e atenção a restrições específicas (por exemplo, insuficiência cardíaca ou renal).[4]

O que evitar durante a fase aguda

Durante a crise, alguns alimentos podem ser difíceis de digerir ou irritar o intestino. A tolerância é individual, mas normalmente é prudente reduzir temporariamente preparações muito gordurosas, frituras, bebidas alcoólicas, pimentas e refeições volumosas.

Também podem ser retirados, por curto período, alimentos ricos em fibras insolúveis, como cascas de frutas e legumes, sementes, milho, pipoca, verduras cruas e grãos integrais. A reintrodução deve ocorrer depois da melhora, e não como uma proibição definitiva.[1][3]

Antibióticos, analgésicos e outros medicamentos só devem ser usados conforme prescrição. Alguns anti-inflamatórios podem aumentar riscos gastrointestinais em determinadas pessoas, por isso não devem ser tomados por conta própria.

Em pacientes com sensibilidade a carboidratos fermentáveis, um manejo temporário de FODMAPs pode ser considerado pelo nutricionista no período pós-crise, visando controle de gases e distensão. Essa abordagem é individualizada e não substitui a reintrodução equilibrada de fibras.[5]

Checklist de preparo e compras (fases aguda e transição)

  • Tenha em casa: caldos caseiros coados, chás, gelatina simples, água de coco, sucos coados;
  • Para a fase de baixa fibra: arroz branco, massas simples, pães brancos, batata/mandioquinha, frango e peixe magros, banana madura;
  • Utensílios: peneira fina, liquidificador, potes para fracionar porções pequenas;
  • Rotina: planeje 5–6 refeições menores ao dia e defina alarmes para hidratação a cada 60–90 minutos.

Sinais de alerta e necessidade de atendimento

A alimentação é apenas parte do cuidado. A diverticulite pode apresentar complicações e, em alguns casos, exige antibióticos, exames, hidratação intravenosa ou internação.

  • Febre persistente ou calafrios;
  • Dor abdominal intensa ou progressiva (especialmente no quadrante inferior esquerdo);
  • Vômitos repetidos;
  • Incapacidade de beber líquidos;
  • Sangue nas fezes;
  • Abdômen rígido ou muito distendido;
  • Tontura, fraqueza intensa ou sinais de desidratação;
  • Ausência de melhora após as orientações recebidas.

Nessas situações, procure atendimento médico. Pessoas idosas, gestantes, imunossuprimidas ou com doenças crônicas devem buscar avaliação com menor demora.

Conclusão: como organizar a alimentação

A dieta para diverticulite durante uma crise costuma começar com líquidos claros ou alimentos leves, avançar para preparações com pouca fibra e retornar gradualmente à alimentação habitual quando os sintomas melhoram. Após a recuperação, o aumento progressivo de fibras, a hidratação e a prevenção da constipação tornam-se prioridades.

Não existe um cardápio único para todos, nem uma lista universal de alimentos proibidos. O plano mais seguro combina avaliação médica, acompanhamento nutricional quando necessário e observação da resposta individual. Nunca prolongue uma dieta líquida ou restritiva sem orientação profissional.

Aplicações práticas na rotina profissional (manejo nutricional)

  • Avaliação inicial estruturada: sintomas, sinais de alarme, hidratação, uso de medicamentos, estado nutricional e comorbidades (diabetes, DRC, cardiopatias).[1][2]
  • Planejamento alimentar por fases: registrar a prescrição (líquida clara, baixa fibra, transição e manutenção) com metas de energia, proteína e fibras.
  • Educação do paciente: orientar sobre preparo culinário, porções, leitura de rótulos e sinais que exigem reavaliação clínica.
  • Documentação e monitoramento: evolução dos sintomas, aceitação alimentar, peso, hidratação, função intestinal e adesão.
  • Interdisciplinaridade: alinhar condutas entre nutricionistas, enfermeiros, médicos e educadores físicos para otimizar a recuperação.
  • Teleatendimento responsável: uso de instrumentos validados para triagem nutricional e educação segura, respeitando normas éticas e de confidencialidade.
  • Ferramentas digitais: uso de diários alimentares e lembretes de hidratação para melhorar adesão e detectar gatilhos individuais.

Erros comuns no manejo nutricional da diverticulite

  • Prolongar demais a fase líquida sem reavaliação clínica, elevando risco de déficit energético e proteico.[1]
  • Manter restrições amplas por tempo indeterminado (por exemplo, “proibir para sempre” sementes e oleaginosas), sem base em evidências atuais.[3]
  • Subestimar a hidratação ao aumentar fibras na fase de manutenção.
  • Avançar muito rápido a consistência alimentar, provocando piora de dor, gases e distensão.
  • Desconsiderar preferências culturais e contexto socioeconômico, reduzindo adesão ao plano alimentar.
  • Prescrever suplementos ou probióticos sem avaliação de custo-benefício e evidência para o caso específico.[2][5]
  • Ignorar possíveis interações entre medicamentos e ingestão de fibras/fitatos em pacientes polimedicados.

Top 10 dicas práticas para o dia a dia

  • Comece pequeno: aumente a fibra em passos de 5 g a cada 3–4 dias.
  • Beba água junto das refeições e entre elas; use garrafa com marcações.
  • Prefira métodos de preparo leves (cozidos, assados) e mastigação lenta.
  • Fracione 5–6 pequenas refeições para reduzir carga mecânica intestinal.
  • Mantenha de 20 a 30 minutos de caminhada leve diária (se liberado).
  • Use um diário de sintomas para relacionar alimentos e conforto abdominal.
  • Evite “pular” fases: líquido → baixa fibra → transição → manutenção.
  • Introduza leguminosas bem cozidas e em pequenas porções antes de integrais mais fibrosos.
  • Considere psyllium sob orientação para complementar fibras solúveis.
  • Revise o plano com seu profissional após qualquer crise ou mudança de medicação.

Seguir essas dicas torna a dieta para diverticulite mais previsível e personalizada, reduzindo recaídas por erros alimentares comuns.

Cardápio exemplo de 3 dias (fase de transição)

  • Dia 1:
    – Café da manhã: mingau de aveia bem cozido com banana amassada;
    – Lanche: iogurte natural (se tolerado);
    – Almoço: arroz branco + frango desfiado + cenoura cozida;
    – Lanche: gelatina simples + chá;
    – Jantar: purê de mandioquinha + peixe assado + abobrinha cozida.
  • Dia 2:
    – Café da manhã: pão branco com queijo fresco + chá;
    – Lanche: suco de uva coado;
    – Almoço: macarrão ao sugo suave + almôndegas magras assadas;
    – Lanche: banana madura;
    – Jantar: arroz branco + omelete simples + chuchu cozido.
  • Dia 3:
    – Café da manhã: crepioca simples + requeijão light;
    – Lanche: água de coco;
    – Almoço: arroz branco + peito de frango grelhado + purê de batata;
    – Lanche: maçã cozida sem casca;
    – Jantar: caldo de legumes coado + pão branco torrado.

Adapte porções ao apetite e evolução dos sintomas. Esse roteiro é um ponto de partida para discutir com seu nutricionista dentro de uma dieta para diverticulite bem conduzida.

Estudos de caso rápidos (ilustrativos)

Caso A — retorno acelerado às fibras

Paciente de 45 anos, crise leve, evoluiu da fase líquida para saladas cruas no 2º dia e relatou piora da dor e gases. Reajuste: retorno à baixa fibra por 48 h, reintrodução gradual de legumes cozidos e fibras solúveis. Desfecho: controle dos sintomas em 72 h e avanço seguro na semana seguinte.

Caso B — hidratação insuficiente na manutenção

Paciente de 63 anos aumentou integrais e leguminosas, mas ingeria menos de 1 L de água/dia. Evoluiu com constipação e distensão. Intervenção: meta hídrica de 30 mL/kg, fracionamento de refeições e psyllium noturno. Desfecho: normalização do trânsito em 5 dias, sem dor.

Tendências e desafios no cuidado nutricional

  • Personalização avançada: uso de diários digitais e apps para correlacionar alimentos, sintomas e evacuações, facilitando ajustes finos.
  • Foco na qualidade da fibra: maior ênfase em fontes solúveis e fermentáveis que favorecem produção de butirato, com introdução gradual de integrais.
  • Educação culinária: preparo que reduz FODMAPs (cozimento prolongado, porcionamento) em pacientes com hipersensibilidade a fermentação.
  • Teleatendimento com segurança: protocolos padronizados para avaliar sinais de alarme e orientar progressão de fases à distância.
  • Equidade nutricional: adaptação do plano a orçamentos limitados (ex.: leguminosas, cereais acessíveis, hortaliças sazonais) sem perder qualidade.

FAQ — Alimentação e diverticulite

Qual é a melhor dieta na fase aguda?

Em casos leves e estáveis, muitas equipes iniciam com líquidos claros por curto período e avançam para baixa fibra assim que possível. A dieta para diverticulite deve considerar dor, náusea e aceitação, evitando restrições prolongadas.[1][2]

Posso usar probióticos?

A evidência para prevenção de recorrências é inconclusiva. Em alguns casos pode haver teste supervisionado, mas a base do cuidado é a progressão adequada de fibras e hidratação, com manejo clínico das crises.[2][5]

Sementes, castanhas e pipoca pioram a doença?

Estudos prospectivos não mostram aumento de risco com esses alimentos.[3] Se houver desconforto individual, ajuste temporário pode ser feito, mas não há proibições universais na fase de manutenção.

Qual quantidade de fibra atingir após a recuperação?

Metas comuns variam de 25–38 g/dia, conforme sexo, idade e condição clínica. Aumente gradualmente (≈5 g a cada 3–4 dias), sempre com hidratação suficiente.[4]

Existe relação com a microbiota intestinal?

Sim. Fibras fermentáveis favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta, com efeitos tróficos na mucosa e possível modulação inflamatória, apoiando a manutenção da saúde colônica.[4]

Quando devo encaminhar ao médico com urgência?

Febre persistente, dor intensa e progressiva, vômitos repetidos, incapacidade de ingerir líquidos, sangue nas fezes, abdômen rígido/distendido e sinais de desidratação exigem avaliação imediata.

Exercícios influenciam o intestino?

Atividade física leve, liberada pelo médico, auxilia o trânsito intestinal e o bem-estar geral, complementando o plano alimentar.

Como lidar com intolerância à lactose durante a recuperação?

Teste iogurtes e queijos com menor teor de lactose ou versões sem lactose. Se persistirem desconfortos, prefira leites vegetais fortificados e busque avaliação nutricional para adequar cálcio e proteína.

Quais sinais indicam que subi fibras rápido demais?

Aumento de gases, distensão, cólicas e mudança abrupta no padrão evacuatório. Reduza o ritmo, priorize fibras solúveis e reforce a hidratação por alguns dias antes de progredir novamente.

Responsabilidade ética, qualificação e impacto profissional

A condução da dieta para diverticulite exige responsabilidade ética e atuação dentro das competências legais de cada profissão. A qualificação técnica e a atualização baseada em evidências protegem o paciente, ampliam a segurança do cuidado e fortalecem a carreira na área de saúde e bem-estar. A Plenitude Educação incentiva práticas educacionais que conectam ciência, clínica e humanização, preparando profissionais para decisões alinhadas a diretrizes e ao contexto de cada pessoa atendida.

Como se atualizar na área (saúde intestinal e doença diverticular)

  • Diretrizes e consensos: AGA, ACG, ACP, sociedades de coloproctologia e nutrição clínica.[1][2]
  • Bancos de dados: PubMed, Cochrane Library, Embase, Scielo.
  • Jornais científicos: Gastroenterology, American Journal of Gastroenterology, Clinical Nutrition, Nutrients.
  • Educação continuada: cursos, jornadas, webinars e grupos de estudo sobre microbiota e terapia nutricional.
  • Prática reflexiva: auditorias de caso, discussão clínica multiprofissional e mentoria.

Exemplo de evolução alimentar estruturada

Fase Objetivo Alimentos/estratégias Duração típica
Aguda – líquida clara Reduzir estímulo mecânico e aliviar sintomas Água, caldos coados, chás, sucos coados, gelatina; fracionamento e hidratação 24–48 h (ajustar conforme resposta)
Baixa fibra Reintroduzir energia e proteína com baixa carga de resíduos Arroz/pães brancos, tubérculos sem casca, carnes magras cozidas, frutas cozidas sem casca 2–5 dias (ou conforme tolerância)
Transição Testar tolerância e ampliar variedade Legumes cozidos, frutas sem casca, pequenas porções de integrais; acrescer 5 g/dia de fibra a cada 3–4 dias 1–2 semanas
Manutenção Prevenir constipação e promover saúde intestinal Fibras variadas (solúveis/insolúveis), leguminosas, integrais, hidratação adequada e atividade física Contínua

Observação prática: a decisão de avançar entre fases deve considerar dor, náuseas, padrão de evacuação, aceitação hídrica e sinais de inflamação sistêmica. Em qualquer regressão de sintomas, retorne uma etapa e reavalie.

Referências

  1. Strate LL, Morris AM. Epidemiology, Pathophysiology, and Treatment of Diverticulitis. Gastroenterology. 2019;156(5):1282–1298. AGA Clinical Practice insights sobre manejo dietético e evolução de consistência.
  2. Stollman N, Smalley W, Hirano I; AGA. American Gastroenterological Association Institute Guideline on the Management of Acute Diverticulitis. Gastroenterology. 2015;149(7):1944–1949. Diretrizes para manejo clínico e evolução alimentar.
  3. Strate LL, Liu YL, Syngal S, Aldoori WH, Giovannucci EL. Nut, Corn, and Popcorn Consumption and the Incidence of Diverticular Disease. JAMA. 2008;300(8):907–914. Não há aumento de risco com sementes, oleaginosas e pipoca.
  4. Anderson JW, Baird P, Davis RH Jr, et al. Health benefits of dietary fiber. Nutr Rev. 2009;67(4):188–205. Bases fisiológicas do aumento gradual de fibras e efeitos na saúde intestinal e SCFA.
  5. Staudacher HM, Irving PM, Lomer MCE, Whelan K. Mechanisms and efficacy of dietary FODMAP restriction in IBS. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2014;11(4):256–266. Evidências para manejo de sintomas fermentativos em casos selecionados (aplicação cautelosa pós-crise).
  6. American College of Physicians (ACP). Management of Acute Left-Sided Colonic Diverticulitis. Ann Intern Med. 2022;175(5):ITC65–ITC80. Recomendações atualizadas de manejo e dieta conforme gravidade.
  7. World Gastroenterology Organisation. Practice Guidelines: Diverticular Disease. 2016. Síntese internacional de boas práticas, incluindo orientação alimentar.
  8. Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Consensos e recomendações sobre doença diverticular. Documentos técnicos (acesso conforme atualizações). Contextualização nacional.
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